segunda-feira, 27 de abril de 2020

FIOCRUZ FAZ HISTÓRICO DOS PROBLEMAS ENFRENTADOS POR AGENTES DE COMBATE ÀS ENDEMIAS E ACONSELHA SUSPENDER AS VISITAS


Ao longo de muitos anos, acompanho o trabalho importantíssimo desenvolvido pelos técnicos da Fiocruz, sendo inclusive, os responsáveis por dar suporte de qualidade ao Ministério da Saúde e municípios brasileiros.
A missão da FIOCRUZ é disseminar e compartilhar conhecimentos e tecnologias voltados para o fortalecimento e a consolidação do Sistema Único de Saúde (SUS) e que contribuam para a promoção da saúde e da qualidade de vida da população brasileira, para a redução das desigualdades sociais e para a dinâmica nacional de inovação, tendo a defesa do direito à saúde e da cidadania ampla como valores centrais. (Aprovada no VI Congresso Interno).
Agora com lançamento da nota técnica abaixo, da CESTEH/ENSP/Fiocruz, em minha opinião, a FIOCRUZ se superou, adentrando numa seara que em meu ver vai fazer a diferença.
Para alguns blogueiros e sindicalistas que após lerem a NT focaram apenas na “SUSPENSÃO DE VISITAS”, como se toda categoria estivesse querendo deixar de trabalhar e ter vida boa.
Prefiro oportunamente aprofundar minha opinião com base nessa rica e valiosa NOTA TÉCNICA, porque sei o peso que ela tem. Sei também, que muitos não passam do título matéria e, se lerem a postagem completa a depender do conteúdo podem não abrir a NT, onde estão dados da mais elevada importância para a categoria.
Na nota técnica, a maior intenção dos autores era abordar os efeitos da pandemia por COVID-19 para aos profissionais essenciais como os Agentes de Combate às Endemias-ACE que estão expostos na labuta. Porém a FIOCRUZ foi além. Deixou muito claro que os ACE compõe uma categoria altamente exposta, que há anos sofrem exposição a diversos tipos de agrotóxicos, inclusive os banidos em outros países ou restritos por acordos internacionais multilaterais.
Externou com precisão dados que nós sindicalistas sabemos de perto, mas que a partir dessa nota, o povo em geral verá uma das maiores autoridades em saúde pública desse País afirmar o que acontece nos bastidores.  Ainda tem pessoas ignorantes Brasil a fora, que dizem que os agentes não são essências no combate ao CORONAVÍRUS.
Outra coisa que me chamou a atenção na NT, foi afirmação sobre as péssimas condições de trabalhos da categoria, exposição a altas doses de produtos químicos nocivos à saúde, a falta de treinamento, a não utilização de EPI’s adequados, falta de exames
toxicológicos apropriados, exames periódicos para avaliação de saúde e o descaso de seus superiores levou ao adoecimento e mortes de muitos trabalhadores.
A NT trás dado alarmante e que merecem toda a atenção das autoridades, sobretudo dos órgãos de saúde do trabalhador.  Foi exposto o resultado de um estudo que avaliou declarações de óbitos fornecidos pelos familiares dos agentes de combate às endemias/guardas de endemias falecidos. Essa parte da NT prefiro deixar para cada um ler e se surpreender.
Por fim, quero tratar de uma das coisas relevantes, mas que para muitos era o PRINCIPAL, diante de tantas coisas importantes contidas na NT. A Fiocruz afirma ser impossível assegurar EPI’s adequados que impeçam a transmissão do SARS-Cov-2, bem como o próprio EPI já existente e não é suficiente para proteger os ACE, devido à exposição do processo de trabalho.
Afirma, ainda, que tal exposição pode levar a quadros graves de COVID-19, por essas razões a FIOCRUZ e o CESTEH/ENSP/Fiocruz desaconselharam à realização de visitas domiciliares dos ACE e recomendaram o distanciamento social para proteger população e agentes.
Inquestionavelmente diante da opinião de uma das maiores autoridades do País, como é a FIOCRUZ, vamos nos preparar para dois reflexos dessa nota técnica. O primeiro político, que pode acarretar em ataques a FIOCRUZ, sobre o porquê da Nota Técnica não ter saído antes da mudança de Ministro.  O segundo, os gestores continuarem fazendo vista grossa e ignorar essa realidade crítica da categoria agravada com a Pandemia.
Sabendo de todas as problemáticas enfrentadas pelos ACE e ACS, ciente que quando um estudo visa trazer o bem aos trabalhadores ele é ignorado pelos gestores, há mais de duas semanas o SINDAS/RN fez um investimento, contratou um excelente engenheiro de segurança do trabalho e com laudo técnico entraremos na justiça.
Dentre os pedidos estão questões relacionadas aos E.P.I (definir os E.P.Is apropriados),  compelir os gestores a não cobrar trabalho sem os E.P.Is adequados, discussão sobre o afastamento dos agentes que compõem  grupo de risco  e 40% de insalubridade.
Será uma ação judicial coletiva contra todos os municípios potiguares, que visa proteger e garantir direitos aos associados e não associados, mas que também visa respaldar os Gestores a afastar os agentes legalmente.
SINDAS/RN trabalhando muito por muitos!
Cosmo Mariz- Presidente do SINDAS/RN
(84)98786-4195/ 99670-5345

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