terça-feira, 8 de novembro de 2011

DENÚNCIAS FUNDAMENTADAS E COERENTES AJUDAM A TODOS



Abastecimento irregular ajuda expansão
Publicação: 08 de Novembro de 2011 às 00:00

Ricardo Araújo – repórter
Calor, alta umidade e irregularidade no abastecimento de água. Natal apresenta os principais fatores propícios à reprodução do mosquito da dengue, o aedes aegypti. Dos 16 bairros (veja box) listados pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS) como locais de risco iminente de epidemia, o abastecimento de água é irregular. Além disso, se concentram em áreas nas quais as condições de coleta de lixo e saneamento básico são precárias, com algumas exceções. De acordo com o secretário-geral do Sindicato dos Agentes de Endemias (Sindas RN), Cosmo Mariz, a união destes fatores contribui diretamente para o aumento dos focos do mosquito transmissor da doença.
Rodrigo Sena
A aposentada Hozana França (Quintas) armazena água devido a irregularidade no abastecimento
A situação piora, porém, entre os meses que antecedem e durante o verão. Neste período, o consumo de água chega a duplicar em determinados bairros da capital devido às altas temperaturas. Como o fornecimento para a maioria dos bairros ocorre com interrupções, a saída é acumular o líquido em depósitos de plástico ou alvenaria. "A gente tem que esperar a água chegar de madrugada e nem sempre conseguimos encher tudo. Faz tempo que convivemos com essa situação", afirmou a aposentada Hozana França.

Ela é moradora do bairro das Quintas, zona Oeste da capital, cuja população enfrenta irregularidades no abastecimento há alguns anos. O bairro, de acordo com levantamento da SMS, apresenta os maiores índices de infestação predial pelo mosquito. "Hoje, 90% dos focos estão dentro das residências. Nós orientamos a população que mantenham os reservatórios fechados e que lavem os depósitos semanalmente com escova e sabão", ressaltou Cosmo Mariz.

A assessoria de imprensa da Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (Caern), afirmou que o fornecimento de água é considerado normal para os bairros apontados pela reportagem (veja box). A assessoria ressaltou, porém, que cerca de 30% das residências do bairro de Mãe Luíza não dispõem de caixas d'água, o que contribui para a proliferação do aedes aegypti. A Caern não prevê aumento na oferta do líquido e disse que ampliará as campanhas de conscientização acerca do gasto excessivo. Além disso, irá instalar quase 30 mil hidrômetros somente em Natal para regular o uso nos bairros periféricos.

Questionado sobre a atual situação dos ciclos de visita aos domicílios em Natal, Cosmo Mariz afirmou que existe a possibilidade de serem cumpridos cinco ciclos. "O Ministério da Saúde determina que sejam cumpridos seis. Acreditamos que iremos conseguir fechar cinco visitas. O que já é um número muito bom em relação à realidade do ano passado", destacou. Com a contratação temporária de mais 150 agentes de endemias pelo Município, a visitação foi possível.

O contrato de trabalho destes agentes vencerá em fevereiro do próximo ano. O Município assegurou que será realizado concurso público para o preenchimento das vagas. Cosmo Mariz afirmou que os agentes de saúde estão preocupados com a possibilidade de uma nova epidemia. "É preciso que a população se conscientize. A dengue não só ocorre durante aquele período de chuvas. Pode ocorrer todo os dias e a precaução deve ser diária", destacou.

Agentes não receberam treinamento

A cada ano, os índices de infectados pela dengue aumentam em todo o país. Para 2012, a estimativa do Ministério da Saúde é de que a epidemia seja a pior da história, com a introdução do tipo 4 da doença e a reintrodução do vírus tipo 1. Com o objetivo de reduzir os índices de infecção, o Ministério da Saúde determinou a mudança do tipo de larvicida utilizado nas ações contra o mosquito e enviou recursos da ordem de R$ 2,1 milhões para o desenvolvimento da Política Nacional de Educação Permanente em Saúde no Estado.  Até hoje, porém, os agentes comunitários de saúde e os agentes de combate às endemias não receberam nenhum tipo de treinamento. "Um novo larvicida chegou, o novaluron, é não recebemos nenhuma orientação de uso", comentou Cosmo Mariz. O novaluron substituirá o larvicida diflubezuron, o qual o Ministério da Saúde constatou que não atendia mais às expectativas em relação ao aniquilamento dos focos do mosquito. 

De acordo com o secretário estadual de Saúde, Domício Arruda, a programação dos cursos é montada anualmente. "O Ministério da Saúde está antecipando a liberação dos recursos pois a epidemia de alguns estados do sul e sudeste começa em dezembro. A nossa ocorre a partir de março".

A expectativa do Sindas é de que o novaluron comece a ser utilizado ainda este ano. Indagado sobre o processo de utilização dos fumacês portáteis, as unidades de ultra baixo volume (UBVs), Cosmo afirmou que não estão sendo utilizadas. "O Ministério Público Estadual determinou que o uso do inseticida molation, que era borrifado na superfície das sucatas, fosse suspenso devido às agressões causadas ao meio ambiente". Além do problema relacionado à irregularidade no fornecimento de água, os bairros listados pela SMS abrigam a maioria das sucatas e ferros-velhos da capital. Estes pontos são considerados potenciais criadores de mosquitos da dengue.
 FONTE: TRIBUNA DO NORTE

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